sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desuso dos orelhões



   Semana passada, depois de sair da aula de inglês, fui ligar para minha mãe me pegar no curso. Quando vi, o celular estava descarregado e não tinha ninguém conhecido para eu perguntar “Tem crédito pra residencial?”. Já passavam trinta minutos da hora estipulada e minha carona ainda não chegava. O estresse já tomava conta, junto com a vontade de ir pra casa sem avisar a ninguém, até que vi um desolado orelhão público e finalmente consegui me comunicar.
   A partir disso, comecei a pensar ha quanto tempo não utilizava os telefones públicos. Dois anos, três? Não sei, mas fazia séculos que não ligava de um orelhão. Engraçado que, antes de ganhar meu primeiro celular aos 10 anos, só ligava para a casa – a cobrar – dos telefones públicos que tinham na minha escola, eles eram tão disputados que formavam filas de tanta gente que usava. Ainda me lembro esperando a minha vez na filinha para telefonar.
   Depois da aula, era costume todo mundo se reunir em frente ao orelhão para passar trote aos números aleatórios. “Alô? Tem um carro de gelo em frente a sua casa? Não? Ah, então já deve ter derretido”, clássica! E os cartões de ligações que eram comercializados? Meu pai sempre andava com um na carteira para eventuais necessidades. Certa vez, ele me deu um do Zezé de Carmago e Luciano, que se você discasse o determinado número, poderia ouvir o mais novo sucesso da dupla sertaneja.
   Ah, tempos bons, os quais foram ofuscados atualmente pelos populares celulares. As operadoras de telefonia móvel jorram promoções, pelas quais é capaz de conversar com alguém gastando apenas centavos. E quando os créditos acabam sempre tem aquele amigo que empresta o celular. Dessa forma, o encontro com os telefones públicos só ocorrem se, descarregado o celular, não tiver mais meios – leiam-se amigos que emprestam os seus – para se comunicar. 

Alguém se lembra dos cartões telefônicos?

2 comentários:

  1. Bárbara Rodrigues6 de julho de 2012 15:55

    Em Londres, as cabines de telefone público estão sendo leiloadas por falta de uso... sabia?

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  2. Caramba! Essa eu não sabia. Londres é um dos únicos lugares onde ninguém quer que as cabines telefônicas acabem kk

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